30 junho 2009


' conversas de bar são sempre as mais variadas e onde tudo pode acontecer.

uma delas fala: "já parou para pensar em que você não sabe o que quer?". intimidada pela pergunta, nem consegue responder, mesmo sendo aquela que talvez melhor a conheça, nunca esperaria que pegasse em sua ferida. pára então para analisar o tamanho do buraco que tal questionamento havia deixado dentro de si, e mesmo que não quisesse acreditar, sabia que isto era verdade. simplesmente prefere abaixar a cabeça e fingir que nem tinha prestado atenção, sequer escutado. mas a amiga insiste: "você não vê que não consegue deixar nenhum dos dois? a insistência que te move, você só quer mostrar o que você pode, o que você tem em mãos. acaba se enganando e enganando a quem está com você. um deles, coitado, é só um passatempo pra você; não está realmente nem aí pra ele. o outro você não consegue esquecer de jeito nenhum, e sempre que ele aparece, você esquece de tudo. se você amasse um dos dois, não teria a necessidade de ser infiel."

desnorteada, percebe que ouviu aquilo que sempre soube mas nunca quis dar o braço a torcer. preferia guardar, viver num mundo onde tudo estava sempre muito bem, onde nada poderia dar errado. ela preferia viver de ilusões do que ter que enxergar que o mundo que havia criado para fugir das verdades nunca existiu, só para ela esse mundo conseguia existir. mas a cada segundo que se passava, a dúvida que pairava em seu coração aumentava ainda mais, quase chegava a sugá-la.

ela agora se via sem saída, porque toda a barreira construida com muito esforço para mantê-la inatingível acabara de desmoronar, ela não sabia mais como proceder, não sabia mais como continuar. ela só precisava de um ombro amigo, mas aquele que ela sabia que poderia confiar, pois isso ela não consegueria comentar com ninguém, não seria com qualquer pessoa.

em um deles ela encontra essa pessoa, que solidariamente a recebe de braços abertos disposto a escutá-la e aconselhá-la. "o que você tem? olha para mim, eu só quero ser seu amigo, mas enquanto você não conseguir enxergar isso em mim, eu não poderei fazer mais nada para te ajudar." nessa hora passa um flashback de tudo que já aconteceu dentro de sua mente, ela vê os erros que cometeu e que deve estar magoando aquelas pessoas que a querem bem. instantaneamente, começa a chorar, um choro sem fim, de mágoa e arrependimento por ter prodecido daquela forma por tanto tempo.

"você quer saber o que eu penso? a verdade é que eu nunca sei o que eu quero". ele escuta tais palavras e carinhosamente afaga a sua cabeça e continua a conversar: "acredita que eu sempre soube disso?" sua expressão de sinceridade não podia ser mais verdadeira; "sobre o que você tem dúvidas?". por um momento ela se sente com medo de responder àquela pergunta, tem medo de que as coisas fiquem ainda mais difíceis para ela. mas se lembra de que é ele quem pode ajudá-la naquela hora, somente ele. "eu tenho dúvidas sobre pessoas e o futuro".

como um passe de mágica, ele discursa como ninguém mais. ninguém teria aquelas palavras que fizessem tanto efeito sobre ela, ninguém tocaria sua alma e seu coração como ele. "parte das minhas dúvidas são você" - assume ela. não queria que mais nada ficasse subentendido, queria respostas para tudo que havia deixado guardado há muito tempo. aos poucos e com aquela pessoa ao seu lado, ela ia entendendo tudo o que se passava com ela...

hoje, ela é uma pessoa que tenta acabar com as dúvidas que vai criando, que tenta ser melhor sempre e faz de tudo para que não magoe quem ela ama. ela é aquela que está aprendendo a diferenciar a amizade do amor.

1 comentários on " "

Caroline B. on 30 de junho de 2009 às 23:13 disse...

Liindo *--*

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